10/01/2015 às 15h03min - Atualizada em 22/05/2015 às 14h56min

Vacina testada em MS será vendida até julho e dengue acaba em 10 anos

Grupo de pesquisadores franceses criou vacina que contou com ajuda de infectologista de MS

correio do estado

“Pela proteção que ela confere e como não vai ter vacina disponível para toda população, já no primeiro ano estimamos uma redução de 1/3 de casos notificados nos três primeiros anos. Em dez anos, a doença deixará de existir”, ressaltou o infectologista.No ano passado, Mato Grosso do Sul registrou 9.113 casos notificados da doença, com quatro óbitos e um ainda em investigação. Só na primeira semana deste ano foram 143 novos casos notificados da dengue. A vacina surgirá para reverter o cenário atual da doença, que segundo a 
Em Mato Grosso do Sul, 700 pessoas participaram das aplicações que testaram a eficácia da vacina. Os testes também foram feitos em Goiânia (GO), Vitória (ES), Fortaleza (CE) e Natal (RN), totalizando 3,5 mil pessoas no País. Fizeram parte do estudo mundial 21 mil crianças e adolescentes da América Latina (Colômbia, Brasil, México, Honduras e Porto Rico) e  do Caribe, além de 10 mil na Ásia (Tailândia, Filipinas, Vietnã, Malásia e Indonésia). Em no máximo cinco meses, a vacina contra os quatro sorotipos da dengue (1, 2, 3 e 4) já estará disponível para comercialização em todo o mundo. A confirmação é do médico infectologista e diretor da Fiocruz em Mato Grosso do Sul, Rivaldo Venâncio da Cunha, que participou da fase de testes do produto no Brasil. “A vacina está em fase de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e nos demais órgãos responsáveis dos outros países. A expectativa é que até junho ou julho seja liberada”, acrescentou. 

Organização Mundial da Saúde (OMS) atinge 390 milhões de pessoas no mundo. “A vacina significa uma luz no fim do túnel e uma opção a mais no controle da dengue. No entanto, não terá quaisquer influências sobre os determinantes sociais e econômicos associados às condições estruturais e ambientais ideais para a proliferação do Aedes aegypti, o principal transmissor do vírus”, disse Rivaldo.

A vacina

Depois de 20 anos de pesquisa, o antídoto criado pela francesa Sanofi Pasteur conseguiu eficácia de 60,8%. O fabricante ainda garante que mesmo se o imunizado for infectado pelo vírus, a redução da hospitalização de doentes será de 80,3%, ou seja, em cada dez pacientes, oito não vão precisar ser internados. Também fica assegurado que a doença não progrida para uma forma mais grave e letal em 95,5% dos casos. A aplicação do antivírus é feita em três doses, com intervalos de seis meses entre cada uma. 

A vacina já é produzida em larga escala na França, vislumbrando o mercado que irá se abrir após a aprovação das agências de regulação da vigilância sanitária dos mais de 100 países onde a doença é endêmica. O Ministério da Saúde ainda não firmou um acordo com a fabricante, já que está aguardando um posicionamento da Anvisa para decidir sobre o uso do produto no calendário gratuito de vacinação. 

O que se sabe é que para este ano o Brasil terá de enfrentar a dengue sem a imunização, já que o surto da doença  é mais frequente entre janeiro e junho, época de chuvas fortes. O jeito é torcer para que em 2016 a vacina seja disponibilizada para a população.


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