18/02/2015 às 14h58min - Atualizada em 22/05/2015 às 14h56min

Passada a guerra eleitoral, começam as batalhas pelos cargos federais no Estado

MS Noticias

A guerra declarada das eleições por vezes é menos acirrada e provoca menos baixas do que as batalhas travadas pelos segundo e terceiro escalões, os cobiçados cargos federais no Estado que podem render mais do que vencimentos de até R$ 29 mil mensais, mas também e, principalmente, a força política de quem assume e de quem indica.

São 40 os cargos em disputa, desde o mais cobiçado, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) tanto pelo salário de R$ 29 mil quanto pelo poder de mobilizar grande massa de eleitores e importantes federações, movimentos e centrais sindicais, até os de menor expressão. Ao superintendente do Incra cabe coordenar e executar atividades relacionadas ao planejamento, programação, orçamento, informática e, assim como sofre influência da Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e CUT (Central Única dos Trabalhadores), também influencia e de certa forma direciona essa massa de eleitores.

Três pesos pesados da política devem ser contemplados

Três pesos pesados da política devem ser contemplados


Três pesos pesados da política devem ser contempladosFoto por: Montagem / Arquivo

Atualmente, o Incra é ocupado por Celso Cestari, funcionário de carreira que assumiu no lugar da interinidade por um ano de Manoel Furtado Neves, que por sua vez havia assumido depois da queda do ex-superintendente, Waldir Cipriano, acusado e preso por fraudar a distribuição de lotes no processo de reforma agrária.

Outro cargo que tem destaque pelos constantes escândalos em que se vê envolvido e pela vultosa quantia que movimenta é o de superintendente do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte), que trabalha sob a jurisdição do Ministério dos Transportes e administra as vias navegáveis, ferrovias e rodovias federais, instalações de vias de transbordo e de interface intermodal e instalações portuárias fluviais e lacustres.

Nas últimas administrações do órgão, Marcelo Miranda (ex-governador do Estado) foi exonerado, investigado e acusado pela Justiça Federal, com mais nove pessoas, pelo desvio de R$ 14 milhões. Durante um vacância de comando de oito meses, assumiu Euler José dos Santos, funcionário de carreira do Ministério dos Transportes, exonerado sob a acusação de paralisar o departamento. Foi substituído por Carlos Antônio Marcos Pascoal, que é investigado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) por irregularidades em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O histórico de desmandos e desvios não poupou sequer o IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), que teve seu reitor, Marcus Aurélius Stier Serp exonerado após auditoria feita pela CGU (Controladoria Geral da União)  que constatou diversas irregularidades. Em seu lugar foi nomeada interinamente a professora Maria Neusa de Lima Pereira.

Demais cargos, como Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Funasa (Fundação Nacional de Saúde), PF (Polícia Federal), PRF (Polícia Rodoviária Federal), UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – escolha em lista tríplice após eleição), MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), parte dos 40 cargos federais no Estado, representam poder de negociação. Todos, portanto, são disputadíssimos.

As conversas de bastidores, no entanto, são atípicas em Mato Grosso do Sul. Da grande coalizão que sustenta o segundo governo Dilma Rousseff, ainda que exista uma mal-disfarçada disputa com o grupo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, formada pelo PT, PMDB, PDT, PSD e um séquito de partidos, aqui no Estado os dois maiores partidos de sustentação são opositores históricos: PT e PMDB. Como aditivo nesta mesa de negociação, conta o fato de que os candidatos petistas à presidência nunca lograram êxito nas urnas, e a disputa quase particular entre o PT de José Orcírio Miranda dos Santos, ex-governador Zeca do PT, e o PMDB do ex-governador André Puccinelli, que nunca teve dificuldades em compor com o PT do senador Delcídio do Amaral.

A divisão, portanto, tem acirrada disputa. Se Delcídio saiu enfraquecido com sua derrota na disputa pelo governo do Estado, Zeca se fortalece com a conquista da cadeira de deputado federal, mas é mais ligado ao ex-presidente Lula do que à presidente Dilma. André Puccinelli, ainda que o candidato peemedebista, e seu desafeto, Nelsinho Trad tenha  amargado o terceiro lugar na disputa pelo governo, conquistou uma importante cadeira no Senado, elegendo sua vice-governadora Simone Tebet e uma importante bancada de deputados federais.

A divisão leva em consideração que o Estado será governado pelo grande opositor PSDB, o que dará mais peso aos cargos federais que passarão a competir em visibilidade política com uma administração que rompe 20 anos de dominação peemedebista e petista (Wilson Barbosa Martins – PMDB; Zeca do PT, por dois mandatos; e André Puccinelli – PMDB, também por dois mandatos).


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