09/03/2015 às 14h04min - Atualizada em 22/05/2015 às 14h56min

Nova versão do protocolo HTTP tornará navegação mais rápida e segura

Correio Braziliense

A forma como o seu computador se comunica com a internet vai mudar nos próximos meses. O grupo responsável pela atualização do protocolo HTTP, como são conhecidas as regras para o envio de informações do servidor ao navegador, está trabalhando nos últimos detalhes da aprovação das novas normas. A adoção do protocolo deve levar a uma conexão mais veloz, diminuir a demanda pela banda larga e simplificar o acesso seguro à rede.

HTTP é a sigla em inglês para Protocolo de Transferência de Hipertexto, nome dado ao padrão de comunicação de dados da World Wide Web (WWW). O modelo HTTP/2 começou a ser desenvolvido há dois anos e foi concluído no fim do mês passado, depois de 17 versões e 30 implementações diferentes. Essa é a maior mudança no protocolo desde 1999, quando o HTTP/1.1 foi instituído, e provavelmente é a mais significativa desde a sua criação, em 1990.

A novidade foi baseada no SPDY, protocolo criado pelo Google em 1999 e que é usado por alguns sites, como o Facebook, o Twitter e a própria página do buscador. Em testes realizados pela companhia, o primeiro protocolo resultou numa conexão até 55% mais veloz que a tradicional. O SPDY já passou por outras três versões desde que surgiu e recebeu uma série de adaptações antes de dar origem ao HTTP/2.

A princípio, a adoção do projeto do Google foi interpretada como uma imposição feita pela empresa, mas os responsáveis pela mudança asseguraram que não houve pressão para trabalhar a partir do modelo usado pela gigante da internet. “Eles se aproximaram com a melhor das intenções, pacientemente explicando o raciocínio por trás do seu design, aceitando críticas e trabalhando com todos para desenvolver o protocolo”, garantiu em seu blog Mark Nottingham, presidente do IETF HTTP Working Group, o grupo de trabalho especializado da Força Tarefa de Engenharia da Internet, responsável pela manutenção do protocolo.

O processo de mudança deve ser gradual e não exige nenhuma adaptação por parte dos internautas. Basta manter o navegador sempre atualizado para ter acesso às versões mais recentes dos browsers, que, eventualmente, devem oferecer o acesso às páginas que se comunicam por meio das novas normas. As regras ainda precisam passar por alguns processos editoriais antes de serem publicadas como um padrão, mas já foram adotadas por alguns dos maiores sites e navegadores. A próxima atualização do Firefox deve vir preparada para usar o HTTP/2, assim como o navegador Spartan e o Internet Explorer do Windows 10.

Velocidade
Uma das principais novidades do novo modelo é um sistema chamado multiplexação. A dinâmica atual de comunicação na internet depende de uma série de requisições feitas pelo computador, que pede separadamente por cada elemento da página. Os objetos são, então, enviados pelo servidor por meio da rede, um por um. No HTTP/2, esse processo deve se tornar mais veloz. “Em vez de pedir um objeto por vez, eu peço todos eles numa mesma conexão. Ele já sabe tudo o que vai precisar, pede tudo de uma vez, e o servidor vai mandar tudo de uma vez”, explica Ricardo Puttini, professor do curso de engenharia de redes de comunicação da Universidade de Brasília (UnB).


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