17/10/2015 às 07h39min - Atualizada em 17/10/2015 às 07h39min

Após esperar 7 meses, família recebe canabidiol para tratar convulsão

- G1
Família recebeu o canabidiol nesta sexta-feira (16) (Foto: Heloise Hamada/G1)

A esperança pode ter várias formas. No caso da família Sato, em Presidente Prudente, ela chegou nesta sexta-feira (16) dividida em três seringas do medicamento canabidiol, que possui maconha em sua composição. A dose do remédio já foi dada à menina Júlia Ayumi Aguiar Sato, de 6 anos, que ficou sem o medicamento desde julho deste ano. Sem ele, Júlia chegou a ter cerca de 50 convulsões em um só dia.

A família conseguiu na Justiça o direito de receber o canabidiol em agosto de 2014. Porém, o medicamento foi repassado pelo governo do Estado apenas em março deste ano. No restante do tempo, os pais tiveram de pagar cerca de R$ 5 mil todos os meses para ter o remédio.

Canabidiol tem maconha em sua composição (Foto: Heloise Hamada/G1)

Canabidiol tem maconha em sua composição (Foto: Heloise Hamada/G1)

Canabidiol tem maconha em sua composição
(Foto: Heloise Hamada/G1)

Devido a este valor, somado aos R$ 800 dos demais medicamentos, R$ 700 de energia elétrica para manter os aparelhos da menina ligados 24 horas e R$ 500 do plano de saúde, eles não conseguiram comprar mais o remédio.

O apelo da família foi mostrado pelo G1 no dia 8 deste mês. “Chegamos a um limite. Por isso, ela ficou sem o canabidiol desde julho. Mas, em setembro, ela piorou muito, com várias convulsões em um dia. Foi preciso mantê-la com muita sedação”, contou a artesã Alessandra Aguiar Sato. Ela e o marido, o taxista Leandro Sato, ainda possuem outra filha, Belíssia, de 3 anos. “Não podíamos mais usar nossas reservas financeiras”, disse.

[O canabidiol] não é um milagre, mas é uma luz. Com ele, vai ser possível diminuir os outros remédios que são muito fortes, como a sedação".
Alessandra Aguiar Sato,
artesã

'Estamos felizes'
Por volta das 14h desta sexta-feira (16), o telefone da casa tocou. Alessandra achou que era apenas um cliente, mas a ligação era do Departamento Regional de Saúde (DRS), órgão do Estado que informou que o canabidiol estava disponível. “Acordei meu marido e avisei que iria buscar”, contou.

Júlia nasceu com má formação cerebral e sofre com convulsões. Os pais afirmaram que o canabidiol ajuda muito e que as crises quase zeram com o uso do medicamento, tendo apenas espasmos.

“[O canabidiol] não é um milagre, mas é uma luz. Com ele, vai ser possível diminuir os outros remédios que são muito fortes, como a sedação”, explicou a mãe.

Mesmo com o recebimento neste mês, Alessandra frisou que está ainda um pouco insegura, depois de toda a luta para conseguir o remédio, que já era assegurado a Júlia pela Justiça. “Estamos felizes, mas só vou ficar tranquila quando a entrega for normalizada", pontuou.

Força para continuar
Diante das inúmeras crises, Leandro Sato disse que não aguentou ver aquela situação e fez um desabafo nas redes sociais. “Foi difícil, mas depois foi gratificante porque recebemos apoio de muitas pessoas que nem conhecemos. Gente dizendo que estava orando por nós e isso nos deu força para continuar”, salientou.

“A Júlia é um anjo e ela fez tudo isso acontecer. Ela mostra sempre que é forte e não são as convulsões que vão derrubá-la. E ela sente todas essas vibrações positivas e se fortalece também”, completou Alessandra.

A Júlia é um anjo e ela fez tudo isso acontecer. Ela mostra sempre que é forte e não são as convulsões que vão derrubá-la. E ela sente todas essas vibrações positivas e se fortalece também".
Alessandra Aguiar Sato,
artesã

Agora, com o canabidiol, a esperança da família é de que Júlia melhore para que volte a sorrir. “Quero ver minha filha sorrindo de novo, olhar nos olhos dela, dar uma volta no quarteirão na cadeira. Ter este momento em família novamente”, salientou o pai.

O canabidiol será dado uma vez por dia à menina e as três seringas durarão apenas um mês. “No dia 16 de novembro, eu voltarei no DRS para buscar e espero que esteja lá”, finalizou Alessandra.

Sem o medicamento, Júlia chegou a ter 50 consulsões em um dia (Foto: Heloise Hamada/G1)

Sem o medicamento, Júlia chegou a ter 50 consulsões em um dia (Foto: Heloise Hamada/G1)


Sem o medicamento, Júlia chegou a ter 50 consulsões em um dia (Foto: Heloise Hamada/G1)

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