09/06/2016 às 15h14min - Atualizada em 09/06/2016 às 15h14min

'Ostentação' denunciou traficantes que usavam loja de carros para lavar dinheiro

O 'testa de ferro' da quadrilha fazia a lavagem do dinheiro por meio da concessionária de automóveis

Operação Nevada identificou ostentação -Foto: Midiamax

Membros de organização criminosa presos pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (9), durante a Operação Nevada, ostentavam carros e casas de luxo, o que chamou atenção dos investigadores, que deram início à operação há 23 meses. O grupo traficava grandes quantidades de cocaína que era comprada na Bolívia e chegava ao Brasil em aeronaves.

Os delegados Cleo Mazzotti, chefe de combate ao crime organizado e Fabrício Marques Rocha, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, apresentaram os resultados da operação nesta quinta-feira. Conforme o Midiamax, as autoridades informaram que as investigações tiveram início há aproximadamente dois anos, a partir da movimentação suspeita que ocorria em uma casa em Campo Grande, localizada na Rua Serra Nevada, na Chácara Cachoeira.

Na residência, havia muita movimentação de carros de luxo, além de constantes festas e, a partir das investigações aos proprietários da residência, foi constatado que os bens não eram compatíveis com a renda anual declarada pelos moradores. A investigações detectaram a organização criminosa que atuava com tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

Ainda conforme o site, os 'cabeças' da organização foram presos. Três irmãos de Campo Grande estariam entre os mandantes, dois foram presos na Capital e um em São Paulo, onde foi preso também o principal comprador do entorpecente. Também foi preso em Campo Grande o 'testa de ferro' e braço financeiro do grupo, proprietário da revendedora de veículos Inove, localizada na Avenida Rodolfo José Pinho.

Movimentação financeira

Segundo os delegados, os criminosos atuavam apenas com dinheiro em espécie. Durante a operação foram apreendidos mais de U$ 2 milhões, além de 778 quilos de cocaína e armas de fogo de uso restrito e também de uso permitido, ao menos 1 pistola calibre 9mm, 2 revólveres calibre 38, munições calibre 38, 9mm e de fuzil calibre 5,56 mm.

O 'testa de ferro' da quadrilha fazia a lavagem do dinheiro por meio da concessionária de automóveis e chegou a ser ouvido duas vezes pela Polícia Federal, quando declarou renda mensal de R$ 6,5 mil. No entanto, a polícia chegou a constatar a compra de carros avaliados em R$ 600 mil e uma propriedade, avaliada em R$ 4 milhões. A estimativa é de que, entre 2010 e 2014 ele movimentou R$ 14 milhões. A quadrilha atuava em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo.

Outros envolvidos no esquema de tráfico também declaravam aproximadamente renda anual de R$ 60 mil, mas, segundo os delegados, em uma das casas os policiais encontraram um objeto decorativo avaliado em mais de R$ 60 mil logo na entrada.

Tráfico internacional

Os carregamentos de cocaína eram comprados pelo grupo diretamente na Bolívia e arremessados por meio de pequenos aviões em Porto Murtinho. No município, a droga era levada para fazendas em Bodoquena e Bonito, onde ficavam armazenadas para depois serem levadas para São Paulo em caminhões e outros veículos.

Foram apreendidos com o grupo mais de 30 veículos, entre carros de luxo e caminhões. As investigações seguem por conta dos foragidos e do uso das fazendas em MS, mas os principais membros da quadrilha estão presos. Entre os mandados, apenas três não foram cumpridos. A Polícia Federal atuou nesta quinta-feira em Campo Grande, Bodoquena, Bonito, Rondonópolis (MT), São Paulo (SP), Guarujá (SP), Suzano (SP) e São Bernardo do Campo (SP).

O grupo responderá por tráfico internacional de drogas, porte ilegal de arma de fogo, lavagem de dinheiro e associação criminosa.


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