15/05/2024 às 11h30min - Atualizada em 15/05/2024 às 11h30min

MS colhe 35 milhões de sacas de soja a menos que no ano passado

Pela cotação média desta semana, de R$ 121,00, essa redução significa em torno de R$ 4,2 bilhões a menos na economia estadual. Por causa da estiagem, produtividade caiu 19%

CORREIO DO ESTADO

Por conta da escassez e da irregularidade das chuvas desde outubro do ano passado, atribuída ao fenômeno El Niño, a safra de soja em Mato Grosso do Sul foi 14% menor que no ciclo passado, recuando de 15 milhões de toneladas para 12,9 milhões. Os dados constam de um boletim da Aprosoja divulgado  nesta terça-feira (14). 

Isso significa quase 35 milhões de sacas de soja a menos que no ano passado. E, levando em consideração o preço atual da saca de 60 quilos, de R$ 121,00 em Mato Grosso do Sul, com esta redução os produtores deixam de faturar algo em torno de R$ 4,2 bilhões, caso vendessem todo este volume nesta semana, quando os preços alcançaram o melhor patamar do ano e alcançaram praticamente a mesma cotação de igual período de 2023. 

E estes dados são relativos somente à produção. Se forem levados em consideração os dados referentes à produtividade, o prejuízo causado pela estiagem e o calor é bem mais significativo. Isso porque neste ano houve um aumento de quase 300 mil hectares na área plantada, que chegou a 4,26 milhões de hectares. 

No ano passado, a produtividade média por hectare foi de 62,4 sacas, conforme dados divulgados à época pela Aprosoja. Agora, foi de apenas 50,5 sacas, o que representa queda de 19%, de acordo com o boletim divulgado nesta terça-feira.

E o baque só não foi maior porque nas regiões norte e nordeste do Estado as chuvas foram mais generosas. Em Alcinópolis, por exemplo, a produtividade média foi de 73 sacas por hectares. Em Chapadão do Sul e Costa Rica, dois  importantes polos da produção de grãos, a média foi de 67 e 69 sacas por hectare, respectivamente. 

Enquanto isso, na região sudoeste, a produtividade simplesmente despencou por causa da falta de chuvas. Em Aquidauana, a média foi de apenas 27 sacas. Em Caracol, a situação foi parecida, 31 sacas. Em Maracaju, campeão estadual em área cultivada, com 369 mil hectares, as lavouras renderam, em média, 53 hectares, o que bem abaixo das 70 sacas da safra passada. 

No sul também foram registradas quebras significativas. Em Glória de Dourados, a média ficou em apenas 33 sacas. Enquanto isso, em Dourados e Ponta Porã, dois dos principais produtores, a média ficou em 44 e 50 sacas. 

Apesar de a safra já estar concluída, a Aprosoja ressalta que os dados definitivos relativos à safra serão divulgados oficialmente somente no próximo dia 21. Mas, as alterações tendem a ser insignificantes. 

MILHO SAFRINHA

E a falta de chuvas não prejudicou somente as lavouras de soja. As de milho safrinha tendem a ter impacto ainda pior. A estimativa é que a safra seja 5,8% menor em relação ao ciclo passado, atingindo a área de 2,218 milhões de hectares. 

A produção é estimada em 11,4 milhões de toneladas, uma queda de 19%. A produtividade é prevista em 86,3 sacas por hectare, o que representa retração de 14%. Estes números, porém, só serão concretizados se ocorrerem chuvas nas próximas semanas.

Mas, a meteorologia não tem nenhuma previsão de chuva e a frente fria que chegou ao Estado nesta semana veio praticamente sem precipitações. O máximo foi de 5 milímetros, em Ponta Porã e região. 


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