A sessão da Câmara Municipal de Fátima do Sul, a 240 km de Campo Grande, nesta terça-feira (30) foi marcada por um discurso duro da vereadora Elizângela da Kombi, que reclamou da falta de andamento de projetos de sua autoria e cobrou respeito ao mandato.
Visivelmente abalada, a parlamentar disse que decidiu levar o pronunciamento por escrito para evitar excessos, mas deixou claro o incômodo com o que classificou como paralisação de propostas voltadas à população.
Ao subir à tribuna, a vereadora afirmou que a cobrança não se limitava a interesses pessoais ou políticos. “Hoje eu venho falar sobre respeito. Respeito a um mandato popular, ao trabalho de cada vereador, às mulheres e às famílias que esperam que esta Casa de Leis cumpra com seu papel”, declarou durante a sessão.
No centro da reclamação estão dois projetos apresentados por ela e que, segundo a parlamentar, seguem sem definição. Um deles prevê a criação da Rede Municipal de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência, com foco em fortalecer proteção, acolhimento e assistência. O outro institui a Corrida e Caminhada da Mulher, proposta ligada à promoção da saúde e à conscientização no Outubro Rosa.
Elizângela afirmou que as iniciativas foram pensadas para atender demandas reais do município. “Esses projetos não foram feitos para beneficiar a vereadora. Foram feitos para beneficiar as mulheres desta cidade”, disse. Ela também reclamou que, enquanto suas propostas não avançam, outros textos apresentados depois já passaram pelas comissões da Casa.
Durante a fala, a vereadora criticou o que chamou de justificativas variadas para o atraso. Segundo ela, em momentos diferentes, foram apontados problemas de linguagem ou a informação de que os textos ainda estariam em análise. “A cada momento surge uma justificativa diferente. Uma hora dizem que há vício de linguagem, outra hora que o projeto está em análise. Sempre há uma desculpa para os meus projetos”, afirmou.
A parlamentar ainda disse que, se houver erro técnico, a correção precisa ser feita de forma clara e formal. “Se existe algum problema, que ele seja apontado de maneira clara e por escrito, para que possa ser corrigido. O que não é justo é manter projetos tão importantes sem definição”, declarou, ao defender mais celeridade e transparência na tramitação das matérias.
No mesmo discurso, Elizângela lembrou outro caso que, segundo ela, simboliza a lentidão enfrentada. Há um ano, foi aprovado pela Câmara um projeto de sua autoria que concede isenção de IPTU para famílias de pessoas com autismo em situação de vulnerabilidade, mas a proposta ainda não foi sancionada pelo Poder Executivo.
Ao mencionar esse projeto, a vereadora disse que a medida foi criada para aliviar o orçamento de famílias que convivem com despesas elevadas. “Foi um projeto pensado para ajudar famílias que enfrentam gastos altos com tratamento, medicamentos e cuidados especiais. Esse projeto foi aprovado por esta Câmara, mas até hoje não foi sancionado”, afirmou.
Na parte final do pronunciamento, a vereadora reforçou que a espera atinge diretamente moradores que dependem dessas medidas. “Quando um projeto beneficia a população, ele não pode ficar parado e deixar de ser colocado em prática”, disse. Em seguida, dirigiu a cobrança à condução dos trabalhos legislativos e perguntou: “Até quando?”.
Procurado pela reportagem para comentar as declarações da vereadora e a situação dos projetos, o presidente da Câmara Municipal de Fátima do Sul, vereador Ronaldo, não se manifestou até o fechamento desta matéria. Durante a sessão desta terça-feira, ele também não se pronunciou sobre a reclamação apresentada em plenário. Confira o vídeo:










