24/08/2017 às 08h21min - Atualizada em 24/08/2017 às 08h21min

'DOF é o único que não tem jogo', diz dono de roça de maconha

Submundo dos plantadores de maconha na fronteira começa a ser desvendado

- TOP MÍDIA NEWS

Uma reportagem nacional de cunho investigativo mostrou a realidade dos campos de maconha na fronteira entre o Brasil e o Paraguai em Ponta Porã. A matéria assinada pelo jornalista Mathias Maxx, da Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo, também foi divulgada pela Folha de São Paulo. 

O repórter passou nada menos do que 15 dias para produzir o material jornalístico e entre as informações divulgadas chama a atenção as baixas diárias recebidas por quem trabalha nesses campos – no máximo R$ 50. 

Em outro trecho os próprios “trabalhadores” dos campos de maconha alertam sobre pagamentos de propinas. Escapa do vergonhoso sistema, segundo eles mesmos, apenas o DOF (Departamento de Operações em Fronteiras). 

Retratado como órgão da PF (Polícia Federal), na verdade DOF é um braço da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul com efetivo também da Polícia Civil, sendo “fundado” pelo lendário Coronel Adib. 

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“Os policiais paraguaios não causam grandes problemas, dizem meus cicerones. De fato, em uma única blitz em que fomos parados no caminho, todo mundo manteve a calma. O policial se aproximou do veículo, sem abrir a boca; o patrão, ao volante, abriu o compartimento entre os bancos da frente, sacou de um bolo de dinheiro quatro notas de 100 mil guaranis (cada nota vale cerca de R$ 50) e entregou ao policial, que liberou o caminho e mais nada disse. Segundo eles, a polícia brasileira não é muito diferente, com exceção do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), órgão da PF no Mato Grosso do Sul, a única que realmente assusta os traficantes. “Com eles não tem jogo: é cadeia ou caixão”, diz Gérson.”, diz o trecho da reportagem. 

Maxx conversou com trabalhadores das várias fases do "ciclo da maconha", inclusive falando da exploração da miséria do povo paraguaio e da fronteira. "Pelo trabalho nesses serviços, os trabalhadores, a maioria paraguaios de origem indígena, recebem 70 mil guaranis ao dia (cerca de R$ 40), com exceção da prensa, serviço de maior responsabilidade, limitado a trabalhadores de confiança que recebem 10 mil guaranis por hora (R$ 5,5). Esses valores, assim como os do quilo da maconha, são fixados entre os patrões, para evitar concorrência", aponta.

Apreensões

De acordo com os dados do material, só nos seis primeiros meses deste ano, a Polícia Federal apreendeu mais de 126 toneladas de maconha, a maior parte oriunda do Paraguai. Trata-se do “prensado paraguaio”, que chega ao país em blocos rígidos de 1 kg e, no varejo, são fracionados em pedaços menores.

“É a maconha que está na boca dos brasileiros: segundo estudo do IBGE, 4,1% dos alunos do 9º ano fazem uso da erva. Oito milhões de brasileiros, 7% da população adulta, já experimentaram maconha alguma vez na vida, segundo o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo. Usuários frequentes equivalem a 3% da população adulta do país, ou 3 milhões de pessoas”, elenca o jornalista. 

A reportagem completa pode ser lida aqui: http://apublica.org/2017/08/destrinchando-a-maconha-paraguaia/


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