Após audiência de custódia, Júnior Vasconcelos é transferido para Presídio Militar e ficará isolado

Após audiência de custódia, o ex-prefeito de Fátima do Sul, que também é policial civil, foi encaminhado para a unidade prisional militar, onde permanecerá isolado

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Após audiência de custódia, Júnior Vasconcelos é transferido para Presídio Militar e ficará isolado
Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, foi encaminhado ao Presídio Militar após audiência de custódia. FOTO: ARQUIVO

O ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, foi encaminhado ao Presídio Militar após audiência de custódia. Ele está entre os presos da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que investiga um suposto esquema de desvio de R$ 27 milhões em recursos públicos de municípios de Mato Grosso do Sul.

Conforme decisão da Justiça durante a audiência de custódia realizada na manhã de quinta-feira (9), Júnior Vasconcelos foi transferido para o Presídio Militar, onde permanecerá em ala separada dos demais detentos por ser policial civil.

Escrivão da Polícia Civil, Júnior Vasconcelos foi afastado das funções por determinação publicada no Diário Oficial do Estado. A portaria da Corregedoria-Geral da Polícia Civil (CGPC) estabelece que o afastamento permanecerá vigente enquanto durar a prisão. Também foi determinado o recolhimento da arma de fogo, da carteira funcional e de outros bens públicos sob sua responsabilidade.

À reportagem, o advogado de defesa, João Paulo Calves, informou que irá solicitar a liberdade do cliente. Segundo ele, a estratégia de defesa não pode ser detalhada em razão do segredo de Justiça.

"Temos uma linha de defesa, mas não posso comentar muito sobre o caso porque o processo tramita sob segredo de Justiça absoluto", afirmou.

Na quarta-feira (8), a vice-prefeita de Fátima do Sul, Silvana Vasconcelos (PSDB), irmã de Júnior Vasconcelos, publicou uma nota nas redes sociais sobre a prisão.

"Como irmã, este é naturalmente um momento delicado para nossa família. No entanto, acredito que todos os fatos devem ser devidamente esclarecidos pelas autoridades competentes, garantindo sempre o direito à ampla defesa e ao contraditório", escreveu.

Durante as audiências de custódia, a Justiça manteve a prisão dos investigados detidos na Operação Gutenberg, que apura o suposto esquema de desvios milionários envolvendo contratos públicos em Mato Grosso do Sul.

Gaeco apreendeu mais de R$ 3 milhões em cheques e R$ 200 mil em dinheiro

Durante as diligências da Operação Gutenberg, o Gaeco apreendeu mais de R$ 3 milhões em cheques e mais de R$ 200 mil em dinheiro em espécie, parte dele em cédulas novas ainda lacradas pelo Banco Central.

De acordo com o balanço atualizado divulgado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), também foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva. Outros dois investigados continuam foragidos, enquanto 40 dos 43 mandados de busca e apreensão já foram executados. As ações ainda resultaram em três prisões em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

Segundo o Gaeco, os dois investigados que seguem foragidos são Giovanni Paroschi Jafar e o estrategista educacional Heyder Bartz. Giovanni é o quarto integrante da família Paroschi Jafar alvo da operação. A mãe dele, Rossana Paroschi Jafar, e os irmãos Olívia e Felipe Paroschi Jafar já estão presos.

As apreensões reforçam as suspeitas de movimentação financeira do grupo investigado, apontado pelo MPMS como responsável por um esquema de fraudes em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e direcionamento de contratos públicos para a venda de livros paradidáticos por meio de inexigibilidade de licitação. Conforme a investigação, o esquema teria movimentado mais de R$ 27 milhões em recursos públicos, valores que, segundo o Ministério Público, eram distribuídos entre integrantes da organização criminosa e pessoas utilizadas para ocultar a origem do dinheiro.

As investigações também alcançam a área da saúde pública. Conforme o Gaeco, servidores públicos teriam utilizado influência sobre a regulação estadual para condicionar a liberação de exames, cirurgias e vagas hospitalares à aquisição dos livros comercializados pelo grupo investigado. Durante a operação, equipes cumpriram mandados no Complexo Regulador Estadual (Core), em Campo Grande, de onde foram apreendidos documentos e outros materiais que serão analisados durante o inquérito.

 

 


FONTE: COM MÍDIA MAX E CAMPO GRANDE NEWS
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